terça-feira, 27 de julho de 2010

Passeio do Trem do chocolate, na Suiça

Ciao,amigos!

Estou na Itália! Mais precisamente em Milão. Cheguei ontem depois de 4 dias na Suiça, porém, antes de contar como andam as coisas na terra da pizza, vou narrar meu último dia na Suiça.
Domingo eu fiz o passeio que me trouxe até Genebra:o trem do chocolate! Há algum tempo eu tinha lido na revista “Viagem e Turismo” sobre esse trem e foi por causa dele que a Suíça entrou no meu roteiro desse ano.
Eu comprei, ainda no Brasil, a passagem pelo site http://www.goldenpass.ch que me custou 89 SF. Esse trem sai de Montreux, uma cidade que fica a uma hora de trem de Genebra. Peguei o trem bem cedo, com medo de chegar lá em Montreux e ainda ter de descobrir de onde partiria o trem, mas acabei chegando cedo demais, pois o trem do chocolate parte da mesma estação onde chega o trem vindo de Genebra. Resultado: Fiquei lá mais de uma hora esperando num frio danado (pois é, na Suíça faz frio mesmo no verão!Ainda bem que eu trouxe casaco!) em uma estação em que não há absolutamente NADA para fazer. Fiquei lá subindo e descendo as escadas rolantes, lendo todos os folhetos e cartazes e ouvindo meu MP3. Finalmente o trem chegou. Devia ser umas 9h. É um trem muito bonito, estilo Belle Époque, com cadeiras enormes e confortáveis.


Há dois guia que nos acompanham por toda a viagem. O trem saiu as 9h15 (atrasado! Na minha passagem estava escrito 09h12! Cadê a precisão suíça?? rsrs) e foi subindo uma serra, subindo, subindo...de repente lá estava eu de frente para os alpes suíços, para aquelas paisagens que a gente vê em filme de casinhas incrustadas na montanha com fumaça saindo pela chaminé e vaquinhas pastando ao longe...me lembrou um pouco a “Noviça Rebelde”(ok, era na Áustria, mas é parecido!). Depois de algumas curvas é possível ver o Lac Léman embaixo e o Mont Blanc ao fundo. Bem cara de cartão postal!


A primeira parte do percurso demora mais ou menos 1 hora e é servido um café da manhã com croissant recheado de chocolate, café ou chá a nossa escolha e um tabletezinho de chocolate suíço para aguçar o paladar. Lá fui eu apreciando a paisagem e tomando café em um trem como se estivesse no século passado! Pitoresco!
A primeira parada é na “Maison Gruyéres”, uma fábrica de queijo suíço em que somos recebidos com um audioguia explicativo em que é narrada toda a fabricação do queijo. O mais curioso é que no audioguia quem narra tudo é a vaca! Ela começa dizendo: “oi,eu sou a vaca, principal fabricante do melhor queijo suíço...” é engraçado!



No fim tem degustação de queijo, claro! E uma lojinha para quem quiser comprar mais. Dali um ônibus nos conduz a “Gruyére Village”, a pequena cidadezinha medieval onde morava o conde de Gruyéres (dizem que ele ganhou esse nome por causa de um pássaro da região chamado 'grue'). Nessa cidadezinha existe o castelo que pertenceu a essa família e a visitação fazia parte do ingresso do trem (para quem quisesse ir, não era obrigatório, muita gente ficou só olhando as lojinhas da cidade). O castelo é lindo! É uma mistura de 8 séculos de arquitetura, história e cultura. Ele é datado de 1270 e foi sofrendo várias modificações ao longo dos anos.



São 20 aposentos a serem visitadas no total, mas a que mais me impressionou foi a chamada “sala dos cavaleiros”! Os murais foram pintados no século XIX e tentam retratar aquela época medieval em que os cavaleiros lutavam por honra, justiça e dignidade.



O castelo por fora também é lindo e tem atrás um jardim em “estilo francês” ( Realmente lembra muito os jardins do palácio de Versailles), adorei o muro e a visão panorâmica que se tem lá de cima! Terminada a visita ao castelo, fui passear pelas ruelas de pedra, com casinhas cheias de flores nas janelas.


Fui até a Igreja, olhei alguma lojas, comi um crepe, comprei um ímã de geladeira como lembrança e já era hora de partir. O mesmo ônibus nos levou, então, para a cidade de Broc, onde fica nada mais, nada menos que a fábrica de chocolates da Cailler-Nestlé. Por fora parece uma fábrica comum, mas quando entrei a sensação que eu tive foi de estar na fábrica do Willy Wonka (só faltaram os Lumpa-Lumpas)! É que o passeio começa em um elevador cujas paredes são em alto relevo com motivos astecas e depois, a cada porta que se abre, entramos em uma nova sala com luzes, som, efeitos especias, cheiros e tudo mais que é possível para contar a história do chocolate, dede sua origem, até chegar a Suíça e se tornar a iguaria mais famosa de lá. É realmente um passeio encantador! No fim de tudo, chegamos a fábrica propriamente dita, vimos como o chocolate é feito, processado e embalado e por fim, abre-se à nossa frente uma sala com 22 tipos diferentes de chocolate para degustação! Uma delícia! E no fim de tudo, a loja, para quem quiser levar para casa aquele que mais gostou durante a degustação.


Saindo da fábrica, pegamos novamente o trem e retornamos a Montreux. De lá, eu ainda peguei outro trem e mais 1 hora de viagem até Genebra. Voltei direto para o albergue. Estava casada, mas com uma sensação boa de ter valido a pena! O passeio foi muito bonito e foi, sem dúvida, o melhor da minha estadia na Suíça. Foi exatamente como eu esperava!


Tentei dormir cedo pois meu trem saía hoje as 07h42 e seriam 4 horas até Milão. As duas primeiras foram boas pois as poltronas ao meu lado e à minha frente estavam vazias e pude ficar mais confortável, mas em dado momento, o trem foi enchendo e todas foram ocupadas. Dormi uma parte da viagem, mas é meio complicado dormir em trem, ainda mais viajando de segunda classe em que a poltrona nem reclina. Ouvi música, olhei a paisagem e pensei muito! Pensei em tudo o que eu estou vivendo, tudo o que estou descobrindo, tudo o que abri mão para estar aqui, todo o estudo e planejamento que vai virando realidade, toda a cultura que é tão diferente fora do nosso país, o jeito das pessoas reagirem, a maneira como elas se tratam...enfim, tive bastante tempo para pensar!
Eis que, finalmente, depois de 4 longas horas, cheguei a estação Central de Milão. Desci e descobri que estava mesmo na Itália! Muita gente se esbarrando, um tumulto só, um povo falando alto, muito calor e uma sensação de que brasileiros e italianos não são lá muito diferentes...mas o idioma, esse sim é bem diferente! Eu entendo tudo o que eles falam, mas quem disse que consigo lembrar das palavras na hora de falar? Me fazer entender está sendo um desafio, principalmente porque vim parar em um hotel em que os donos são tailandeses ou coreanos ou chineses ou de qualquer lugar da Ásia. A questão é que eles falam muito mal o italiano e eu não falo inglês, logo a nossa comunicação tem sido basicamente por mímica! Deus me livre de um dia ir a um país que eu no entendo a língua! Aqui já está sendo complicado...
O hotel se chama “San Tomaso” e, tirando a localização que é boa, o resto é lamentável. É estranho, sujo, com um staff que não fala italiano! Tinha que ser eu mesma para achar um hotel na Itália com pessoas que não falam a língua!Mas serão só 3 dias, então, posso aguentar.
Como eu cheguei muito cansada aqui, fiz pouca coisa hoje. Apenas fui ao Duomo (lindo, lindo, lindo!!!! De impressionar!) e à Galleria Vittorio Emmanuelle II, que é onde ficam as famosas marcas italianas: Gucci, Dolce & Gabanna, Armani, etc, etc, etc...A galeria tem uma arquitetura bem bonita.



Depois peguei um daquele ônibus turísticos para ter uma ideia da cidade, mas, como estava cansada, não fiz aquele esquema de subir e descer. Só passeei mesmo. Amanhã vou pegá-lo novamente e saltar para ver uns pontos turísticos. Comi uma pizza (deliciosa!) e voltei para o hotel. Minha primeira impressão de Milão é que ela se parece muito com o Rio de Janeiro. É quente, mas sopra uma brisa, tem gente para todo lado, todos muito simpáticos e uma arquitetura que mistura o antigo com o moderno. Contudo, amanhã irei conhecê-la melhor.

Arrivederci!

VIAGEM REALIZADA EM JULHO DE 2010