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sábado, 25 de abril de 2015

Paraty: uma cidade que não é para mim.

Olá, amigos!
No meu último aniversário resolvi ir a Paraty, uma cidade histórica que fica entre o Rio e São Paulo e por onde se chega através de uma estradinha sinuosa que passa por Angra dos Reis. A empresa de ônibus que leva, a partir do RJ, é a Costa Verde, saindo da Rodoviária Novo Rio e são mais ou menos 5h de ônibus. A distância nem é tão grande, mas como a estrada é cheia de curvas (o que, aliás, não aconselho para quem sofre de labirintite) então o ônibus acaba indo mais devagar, sem contar o fato de que ele entra e para em algumas cidades pelo caminho.
Essa não era minha primeira vez na cidade. Cheguei a ir em 2011, para o festival de música latina, contudo, na época, eu namorava um carinha bem desagradável que conseguiu transformar minha viagem em um inferno, o que foi, inclusive, a deixa para que eu pudesse terminar com ele.
Dessa vez eu estava indo como gosto: sozinha e com a viagem toda planejada para poder aproveitar tudo o que a cidade tinha a me oferecer.
A rodoviária de Paraty fica bem perto do Centro Histórico e dá para ir a pé. Eu estava hospedada na Pousada Casa do Rio (Rua Antonio Oliveira Vidal, 120), um albergue meio caidinho, mas era o que eu podia pagar.  A dona do hotel foi até simpática, quando eu cheguei, me explicou como tudo funcionava e me mostrou o quarto para 6 pessoas que só estava ocupado por duas australianas. Conversei um pouco com elas (em francês, já que não falo inglês) e descobri que aquela seria a última noite delas ali e que no dia seguinte elas partiriam para Angra.
A pousada oferece locker (mas é preciso levar seu próprio cadeado), piscina, vista para a lago, passeio de barco (que eu não me interessei em fazer) e café da manhã bem simples, mas satisfatório, entretanto  o quarto é bem apertado e o ventilador era meio fraco, levando em conta que estávamos em pleno verão!
Deixei as coisas lá e fui passear. Passei  por uma agência de turismo chamada “Estrela da Manhã” (Avenida Roberto Silveira, 31) e comprei um city tour pelo Centro Histórico a pé para o dia seguinte.  Mesmo assim, fui dar uma voltinha por lá só para reconhecer o terreno e comer alguma coisa, levando em conta que já eram 18h e eu não tinha almoçado ainda.  Fui a um restaurante chamado “Paraty 33” logo na entrada do centrinho histórico,  e que tinha sido a minha única lembrança boa da minha viagem de 2011. Porém, dessa vez, a comida estava meio sem graça. Não era ruim, mas não tinha muito gosto. Pedi peixe achando que seria bom, afinal, Paraty é uma vila de pescadores, mas me decepcionei...
Voltei para a Pousada para dormir cedo. Aquele era o dia da primeira Lua cheia do mês e no meio da madrugada acordei e vi aquela lua linda no céu!


 Dia seguinte, depois do café, lá fui eu fazer o tal City Tour. Até que foi bom. A guia nos contou a história do lugar durante 2h30. Passamos por igrejas, lojas, praças e fomos até a Casa da Cultura. Tudo arrumadinho, bonitinho, porém nada que me encantasse. Naquele momento eu percebi que Paraty jamais entraria para o rol das cidadezinhas fofas que amo . No fundo, eu estava um tanto decepcionada. Esperava me apaixonar por ela como me apaixonei por Conservatória ou Colônia do Sacramento, ambas com o mesmo estilo arquitetônico e topográfico.  Mas isso simplesmente não aconteceu.  A cidade me pareceu um tanto enfadonha.





O city Tour acabou e  eu fui almoçar num restaurante chamado “Candeeiro”. Novamente pedi peixe e novamente ele estava meio sem graça ...mas melhor que o do dia anterior.
Foi durante o almoço que desisti definitivamente de ficar na cidade e fui até a rodoviária antecipar minha volta de domingo para sábado.  Começou a chover e voltei para o albergue para arrumar minhas coisas e esperar a chuva passar.
No fim da tarde, voltei ao Centro Histórico e, como havia chovido, consegui tirar aquela clássica foto do reflexo dos casarios na água. Ficou bacana. Aproveitei para passar numa lojinha chamada “Empório da Cachaça” (rua Dr. Samuel Costa, 22) e comprar um licor de milho verde muito gostoso que eu havia experimentado durante o City Tour de manhã.




A chuva recomeçou e parei para me abrigar numa cafeteria bem fofinha chamada “Café Pingado” que foi minha melhor experiência na cidade. Comida boa, café bem gostoso e atendimento muito simpático. Preços justos.
O difícil foi conseguir voltar para o albergue, pois  estava tudo alagado. As ruas pareciam rios! A guia havia contado, pela manhã, que o chão em pé de moleque, que foi originalmente colocado pelos escravos, já foi retirado 3 vezes: uma para colocarem manilhas, outra para colocarem os dutos com os fios de luz dado o risco de incêndio com os fios pendurados e a última, há 2 anos, para trocar as manilhas que já estava velhas. Só que na última recolocação, o piso ficou irregular e andar por lá sem tropeçar é agora tarefa árdua até para os moradores da cidade. Só que nessa história de tira e põe piso, aquele caimento que havia no piso original e fazia com que a água da chuva corresse para o mar, não existe mais, portanto, quando chove, agora, ninguém mais consegue andar pela cidade sem enfiar o pé até a canela na água!
Finalmente cheguei ao albergue, arrumei tudo e fui dormir, feliz da vida, que no dia seguinte eu iria embora!  Realmente eu não gostei de Paraty (sinto muito pelos leitores do blog que amam essa cidade e vão se chatear comigo) e não pretendo voltar. É uma cidade que dei como “conhecida” e, para mim, já está de bom tamanho.


Até a próxima! 

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Passeio ao Pão de Açúcar ( da série "Sendo turista na própria cidade")

Olá, amigos!
Eu sempre digo que sou uma carioca do Paraguai, porque conheço um monte de lugares bacanas pelo mundo ,mas não conheço os monumentos da minha própria cidade. No último fim de semana foi minha chance  de minimizar isso. Conheci  uma moça de São Paulo que estava vindo para o Rio passar o feriadão e me perguntou como fazia para chegar no Pão de Açúcar. Era minha oportunidade de ir a um dos cartões postais da minha cidade maravilhosa, então eu me ofereci para ir com ela no sábado.
Ela já havia ido ao Corcovado (esse eu conheço!  Rs) na quinta-feira com minha tia, que é guia de turismo, e tinha adorado! Acabou que minha tia se ofereceu para ir conosco também e fomos as três até lá em um lindo sábado de sol.
O Pão de Açúcar tem um acesso bem fácil para quem vem de transporte público. Ele fica no bairro da Urca, pertinho da Praia Vermelha. Como fomos a partir do Leme, pois fui buscar minha amiga no hotel, pegamos ali na Avenida Princesa Isabel o ônibus 511 que entra na Avenida Pasteur e saltamos no último ponto antes da praça do bondinho. Para quem vem do Centro da cidade, pode pegar o ônibus 107 na Avenida Passos e saltar no mesmo lugar.  Para quem vai de qualquer outro lugar da zona sul ou da zona norte, pode pegar qualquer ônibus que passe no shopping Rio Sul, saltar na frente dele e ir andando pelo Avenida Pasteur até o fim. É só perguntar,  mas não tem erro, é bem fácil.


Chegando lá, se você for comprar o bilhete em dinheiro, vai entrar numa fila (geralmente maior) e se for comprar em cartão de débito (não aceitam crédito), a fila é um pouco menor. O valor inteiro é de 62 reais, mas se você tiver carteira de estudante (de qualquer tipo) ou mais de 65 anos paga meia.
Depois de comprar o ingresso é só ficar na fila para entrar no bondinho que sai de 5 em 5 minutos e é todo de vidro, o que faz com que, em qualquer lugar, você possa ter uma bela vista da subida.  Cabem 65 pessoas nele e há um fiscal que fica controlando a catraca para que só passem por ela esse número de pessoas de cada vez.

Chegou nesse ponto, tem de entrar no bondinho
Uma dica: se vc quiser ir de cara para o vidro, deixe as pessoas passarem na sua frente até você  ser o primeiro da próxima leva porque ,se você passar pela catraca, vai ter de entrar no bondinho, não poderá esperar o próximo.
A subida para o morro da Urca é rápida, demora apenas 3 minutinhos. Lá em cima se tem uma linda vista da cidade.
 
os bondinhos se cruzando antes de chegar ao topo
Pode-se ver toda a baía da Guanabara com o aeroporto Santos Dumont e a ponte Rio-Niterói.
De outro ângulo podemos ver o Cristo Redentor com seus braços abertos sobre a Guanabara como bem cantou nosso mestre Tom Jobim.
Aeroporto Santos Dumont e Ponte Rio Niterói ao fundo

Cristo abençoando a  Baía de Guanabara
 Há nesse primeiro patamar dois bondinhos em exposição, um , todo aberto, que funcionou desde a fundação (1911) até ser aposentado em 1972 e outro, já mais parecido com o atual, que funcionou até 2008. Pode-se ver também a história do bondinho e de sua complexa maquinaria (provavelmente os engenheiros vão gostar dessa parte). É também nesse primeiro piso que está a casa de show do morro da Urca e de onde se tiram as melhores fotos do próprio Pão de Açúcar.


o primeiro bondinho, de 1911

o segundo bondinho, que funcionou até 2008

engrenagens

Ele: o Pão de Açúcar! 
Depois de ficarmos um bom tempo ali, tiramos milhares de fotos, já que o dia estava ajudando muito com um lindo céu azul, resolvemos subir para o segundo patamar. Mais uma fila e outro bondinho de 3 minutos. Lá de cima a vista é ainda mais espetacular. Realmente minha cidade é linda!


só observando como a cidade é bonita

por trás das árvores

a baía

já na descida, o Pão de açúcar visto de baixo
Lá em cima há uma lanchonete (fraca) e umas lojinhas de lembrancinhas. Há bebedouro perto da catraca do bondinho, portanto, leve uma garrafinha! E também há banheiros (que são bem limpinhos).
Muitas fotos depois, descemos e fomos andando pela avenida Pasteur até o Rio Sul. Dali passamos pelo túnel subterrâneo próprio para pedestres (não tente atravessar a rua por cima, é perigoso!) e pegamos o ônibus para Copacabana, pois iríamos terminar o dia de um jeito bem brasileiro: comendo uma deliciosa pizza!
Foi um dia divertido! Fiz uma nova amiga, conheci um pouco mais da minha cidade e, de quebra, fiquei conhecendo várias historinhas sobre o Pão de Açúcar que minha tia-guia contou.  Aliás, para quem quiser contratar os serviços dela, é só enviar um email para: mariliacallado@yahoo.com.br e dizer que leu aqui no blog. Aí você garante um descontinho em algum desses passeios cariocas, como Corcovado, Centro Histórico ou o próprio Pão de Açúcar.

Para quem quiser mais informações sobre o passeio: http://www.bondinho.com.br/

Até a próxima!

Em Tempo: Esse blog não recebe NENHUMA comissão para fazer propaganda dos serviços dos guias. Todos os serviços de guia recomendados nesse blog foram utilizados pela blogueira e estão aqui por eu ter gostado deles. 


quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Lugares diferentes pra se conhecer na Terra da Garoa

oi, amigos!

Faz um bom tempo que não apareço por aqui....algumas resoluções pessoais me fizeram ficar um pouco afastada do blog, mas, aos poucos, vou retomando as atividades normais!
Hoje venho falar de dois lugares bem bacanas que conheci na minha última ida (super rápida!) a São Paulo: A Casa Modernista e o Museu Lasar Segall.

A Casa Modernista foi a primeira casa feita em estilo modernista no Brasil. Criada pelo arquiteto Gregori Warchavchic em 1927 essa casa inovava pelo estilo diferente do usado na Europa (e que sempre era copiado por aqui). Sua intenção era integrar a casa à paisagem e ao clima de São Paulo da época, criando um projeto que permitisse boa iluminação e ventilação.
Pra quem gosta de arquitetura, é um local que vale a pena visitar. São dois andares. A casa não tem mobília, apenas se vê a funcionalidade do projeto e os materiais usados à época.
O jardim, bem conservado, rende belas fotos e há um filmezinho no térreo que explica a história da casa.
Fica no bairro de Vila Mariana - Rua Santa Cruz, 325. O metrô mais próximo é o Santa Cruz, que pertence à Linha Azul. Funciona de terça a domingo, de 9h às 17h e a entrada é gratuita.

Logo na entrada do jardim


Lateral da casa


Jardim visto da varanda de cima da casa


 Mais adiante,ainda no bairro de Vila Mariana, pode-se encontrar o Museu Lasar Segall. Ali era a casa e ateliê do artista e ela foi projetada pelo mesmo arquiteto da Casa Modernista que, por acaso, era concunhado de Segall. O estilo Modernista se mantém e há, inclusive, uma árvore que foi preservada no meio da propriedade, tendo sido feita a casa à sua volta. O Museu fica na Rua Berta 111 e tem entrada gratuita. Parte dele está fechada para reforma até 2015, mas há uma sala onde é possível ver alguns quadros do pintor russo naturalizado brasileiro.
Imagino que, após a reforma, o museu estará bem mais interessante, afinal seu acervo é riquíssimo e conta não apenas com pinturas, gravuras e desenhos como também com fotografias, mobiliário e documentos que não estavam, infelizmente, à disposição dos visitantes.



A natureza integrada à arquitetura


Não lembra a Casa Modernista?



"O menino e a lagartixa", uma das obras mais famosas de Lasar Segall

Influência do modernismo brasileiro





O site do museu é http://www.museusegall.org.br/

Acho que esses lugares são boas maneiras de se conhecer um pouco da cultura paulistana fugindo do lugar-comum.
Até a próxima!

terça-feira, 17 de junho de 2014

Recebendo bem os turistas (da série "Sendo turista na própria cidade")

A Copa do Mundo 2014 invadiu o Brasil e aqui,  no Rio de Janeiro,  eu senti algumas modificações na maneira de receber os turistas.
Fui andar de metrô hoje e vi que algumas estações da linha 1  já têm um balcão de informações turísticas, com um funcionário bilíngue pronto para ajudar os turistas no que for preciso. Além disso há também algumas publicações gratuitas que o turista pode pegar, entre elas, um guia de como aproveitar o Rio de Janeiro, o que é e o que não é permitido entrar nos estádios, como se chega ao Maracanã, telefones úteis e até a tabela dos jogos que acontecerão por aqui. O folder está todo em inglês (deve haver versão em português também, não vi por lá e esqueci de perguntar, mas deve ter) e até para os mais leigos na língua (meu caso!) dá para entender com facilidade.

Revista "Guia do Rio"; Folder em inglês, mapa do Rio com os pontos turísticos e mapa do metrô

Folder em inglês com informações sobre os jogos e como chegar ao Maracanã
 Além disso há uma revistinha  chamada “Guia do Rio” escrita em português e inglês e que tem dicas de passeios, hospedagem, bares e restaurantes, do que está acontecendo na cena cultural carioca, guia de ônibus e metrô e até as tarifas básicas de táxi para se chegar nos pontos turísticos mais famosos.  Achei bem interessante.

Revista bilíngue com dicas sobre a cidade
Ainda consegui descolar um “mapa turístico oficial do Rio”, bem parecidos com aqueles que vejo em outras cidades pelo mundo. 
 
Mapa turístico

Outra coisa bacana é que agora temos mapa do metrô distribuídos nas estações, mostrando todas as estações da linha 1 e 2, as possíveis integrações, o aplicativo do metrô para  celular, a  possibilidade de se comprar um bilhete pré-pago para o metrô, além dos horários de funcionamento  e de como são feitas as baldeações. Em 6 línguas (português, inglês, espanhol, francês, alemão e russo). A pegadinha é que, em muitas estações, esse mapa não é distribuído na bilheteria e sim na sala de vidro ao lado, onde ficam os  seguranças.  Mas ainda assim, é ponto pra gente!
Mapa do metrô, grátis nas estações

É, acho que a Copa do Mundo serviu pra que  a minha cidade, tão cantada como “maravilhosa”, finalmente se tornasse “maior de idade” em termos turísticos.  Agora sim o Rio se parece com uma cidade que recebe turistas do mundo todo. E o mais estranho  é que apesar de isso já acontecer há tempos, a gente ainda acha esquisito quando ouve gente falando outras línguas no metrô. Todo mundo olha e comenta. É engraçado.

Hoje, ao passar pelo Maracanã, vi a cidade toda cheia de placas, com sinalização que eu nunca imaginei ver um dia na zona norte e cheia de turistas tirando foto na estátua do Bellini, todos com aquela cara feliz e sorridente de quem vai a um ponto turístico no país em que está visitando. E  apesar de eu achar que o dinheiro gasto com a Copa poderia ter sido usado em outras áreas muito mais necessitadas desse país, acabei até sorrindo também e ficando feliz de ver tanta gente de fora aproveitando a minha cidade, sendo bem tratados e contentes por estarem aqui vivenciando esse momento. Acho que vou relaxar e aproveitar um pouco essa oportunidade de ter um evento desse porte aqui no meu país.  

Até a próxima!

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Meu pedaço de paraíso não é mais o mesmo

Olá, amigos!

Relutei um pouco em escrever esse post com medo de macular a ideia que sempre coloquei nesse blog sobre Conservatória. Para quem me lê e conhece os outros post sobre esse distrito de Valença, sabe o quanto amo aquele lugar, o quanto me sinto feliz ali e o quanto aquele pedacinho de céu se tornou, ao longo dos anos, meu pedaço particular de paraíso.


Voltei a ele no início desse ano. Menos de 3 meses depois da última vez. E como ele estava diferente! É um tanto difícil explicar, mas era a vibração da cidade que estava outra.
Chegamos no meio da tarde de sexta, como de costume. Deixamos as bolsas na pousada e fomos almoçar no "Dó, ré, mi" como de costume, porém, a cidade estava triste, deserta, estranha.
À noite, por volta as 21h, fomos até a casa da Cultura para assistirmos à seresta, porém, até 21h30 nenhum violeiro havia chegado. O Aílton, que é quem está, hoje em dia, à frente desse movimento da seresta, ligou para um violeiro que acabou indo até lá e animou um pouco a noite.
Às 23h lá estávamos nós na rua do meio, esperando a concentração para a saída da serenata. Alguns violeiros foram chegando e ela saiu, um tanto tímida. A medida que fomos andando, os bares e restaurantes do caminho, que antes paravam com suas músicas para a serenata passar, continuaram com elas, o que dificultou um pouco a passagem do grupo. Antes de meia noite a serenata já havia terminado (lembro de um tempo em que ela ia até as 2 da manhã!). Fomos a uma lanchonete nova que há perto da praça chamada "Tom Maior" para tomamos uma sopa antes de dormir.
Lanchonete Tom Maior
Dia seguinte, saímos pela manhã para visitar o "Túnel que chora" e notamos que toda a cidade está rodeada por tapumes de obras, o que a deixa mais feia e triste.
Na volta, o chorinho que acontecia na Vila Antiga passou a acontecer na praça Matriz, contudo, como a praça está em obras, ele acontece na rua em frente à praça. Ficamos para ver.
Á noite, voltamos à Casa da Cultura para uma nova seresta, achando que por ser sábado, teria mais gente na cidade. Qual não foi a nossa surpresa quando vimos que só nós estávamos lá? Nós e o Aílton. Só que dessa vez ele não ligou para ninguém e quando deu 21h50 saímos para dar uma volta. Na rua do meio estava acontecendo o "Serenoite", um movimento onde se toca samba, chorinho, modinhas e que já acontece há alguns anos. Ficamos lá para assistir, mas eu queria ver a seresta e depois de meia hora, voltei à casa da Cultura na tentativa de ver se estava acontecendo a seresta. Nada. Nem uma nota musical!
Voltei meio triste para a rua do meio. Foi a primeira vez em 15 anos que não vi a seresta acontecer.
Ás 23h15 a serenata saiu. Poucas pessoas, poucos violeiros. E pela primeira vez, em 15 anos, eles mudaram o itinerário da Serenata! Foram para o outro lado, onde não há bares nem lanchonetes com suas músicas a competir com a serenata. E a medida que íamos caminhando, mais e mais pessoas iam ficando pelo caminho. Chegamos na esquina com metade do público inicial, que já era pouco. Ali a serenata se despediu e terminou. Tudo tão triste, com um jeito de melancolia no ar.



Onde comemos no sábado à noite

Caldos e sopas do restaurante "Sonatas de amor"
No domingo, as 10h30, na rua do meio, acontece a "Solarata", que era sempre apresentada pelo Aínton, mas acho que ele estava tão triste de não ter acontecido seresta no dia anterior que nem apareceu. Resultado: tivemos outra apresentadora e pouca gente para tocar e cantar. Foi bom, porque é muito difícil algum evento musical ser ruim por lá, mas para quem já viveu tantas Solaratas animadas antes, essa estava bem tristinha.

Aos poucos meu pequeno pedaço de paraíso vai se acabando e acho que, apesar dos 135 anos de tradição de serenata que existe em Conservatória, esse movimento está se perdendo, definhando...isso dói fundo na minha alma. E por isso digo a todos que ainda pretendem conhecer Conservatória: Vão logo, enquanto ainda há música no violão dos seresteiros e enquanto ela ainda conserva um pouco daquela magia de outrora, porque a Conservatória pela qual eu perdi meu coração há 15 anos não é mais a mesma e a tendência, infelizmente, é que ela vá se acabando.

Até a próxima!

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

"Conservatória, onde eu perdi meu coração"

Olá, amigos!


Acabei de voltar de mais uma viagem à Conservatória, o meu paraíso particular! Eu já conheci muitas cidades mundo afora, mas é ali, naquele distrito de Valença onde eu me sinto mais feliz! Por mais que eu ame Paris ou Veneza, por mais que a Europa seja uma grande paixão, meu coração cai mesmo de amores é por aquele pedacinho de céu chamado Conservatória, com suas ruas de calçamento pé de moleque, com sua seresta toda sexta e sábado e principalmente, com sua serenata, que me transporta a lugares onde nunca estive, a tempos que nunca vivi, mas que estão ali marcados como tatuagem naquelas canções.
Todas as vezes que retorno à Conservatória ( e aí já se vão talvez umas 15 vezes), eu tenho a mesma sensação de paz, de bem-estar e de alegria. Volto de lá com a sensação de que todos os meus problemas estão, magicamente, resolvidos e de que o mundo ainda vale a pena!
É um manancial onde vou beber um pouco de boa energia e me recarregar até o ano seguinte. É quase um vício! No ano que eu não volto, parece que fica faltando algo.  Parece que me falta um passado.

Voltei a Conservatória depois de quase 2 anos, já sufocada de realidade. Eu necessitava daquela magia, daquele luar, daquela melodia, daquelas vozes cantando quase como cantigas de ninar e embalando meu sono e meu despertar. Eu precisava daquele remanso para poder voltar a ser eu com mais capacidade, para poder ser uma eu mais calma e melhor, com mais crença nas pessoas.

Esse ano voltamos a nos hospedar na Pousada Jara, na praça matriz. Gostei de ter ficado lá da última vez e resolvi repetir a dose.
Dessa vez, resolvemos conhecer a "Cachoeira da índia", um lugar pitoresco onde há a estátua de uma índia em homenagem aos primeiros nativos da região que pertenciam à tribo Arari. Não à toa, o antigo nome do distrito era Conservatória dos Índios. A cachoeira fica mais ou menos a uns 2km do centro, um pouco antes de se chegar à estrada que leva a Valença. Fácil de chegar a pé para quem gosta de andar.

Cachoeira da Índia

Também fomos mais uma vez ao "túnel que chora", o túnel por onde passava a antiga Maria Fumaça e que foi escavado próximo a uma nascente, daí vem a água que verte por suas paredes. José Borges, o grande seresteiro homenageado na estátua da rua do meio da cidade, fez uma linda música chamada "rua das flores" que conta a história do túnel e do trem ( Colocarei a letra no fim desse post).

o Túnel que chora

Estátua em homenagem a José Borges

Embora o movimento da seresta/serenata em Conservatória esteja bem diferente do que já foi há alguns anos, pois perdemos o Museu da Seresta e, infelizmente, alguns frequentadores mais jovens não têm o respeito de outrora em que a cidade toda parava para ouvir aquelas músicas, ainda é gostoso passar as noites cantando antigas canções de amor. Infelizmente, um dos mais célebres cantores da região faleceu ano passado. Mario Caldas agora está cantando lá no céu e nos deixou um tanto órfãos ao  ouvirmos "Cavalgada" durante a serenata que era uma das músicas que se tornou sua marca.
 
Seresta na Casa da Cultura

Serenata ao Luar

A cidade está mais turística, um pouco mais comercial porém ainda conserva seu encanto, seu brilho que está presente, especialmente, nos olhos dos antigos seresteiros que fazem dali seu pedacinho de céu.


Placa na casa da Cultura

Poemas espalhados pelas fachadas das ruas

Foi bom poder voltar esse ano, justamente quando estou tendo mais contato com a literatura depois de tantos anos. Conservatória é a literatura em forma de música! É realmente meu porto seguro nesse mundo e espero poder voltar sempre para sorver um pouco mais de uma eu que eu nem sabia que existia.  Volto mais feliz, mais tranquila e certa de que há um pequeno lugar entre o tempo e o espaço onde uma simples canção ou poema faz transbordar de sentimentos todo o coração.

Rua das Flores (José Borges)

Moramos na rua das Flores
No bairro da Felicidade
À rua do túnel tristonho
caminho que vai pra saudade.

Vem à lembrança
o velho trenzinho apitando
tristeza dos olhos molhados
adeus de lenço acenando

Quantas mulheres
partiram de trem soluçando
Dizem que é de saudade
que o túnel vive chorando.